BRECHA

05-06-2011 11:55

 

 A Brecha da Arrábida encontra-se numa paisagem montanhosa litoral com vegetação densa e alta. Trata-se de um local de extrema harmonia.

 Consiste numa brecha conglomerado, de suporte granular, com clastos (balastros, areia, silte e argila) carbonatados de diversas cores, no seio de um cimento carbonatado -ferruginoso. Em termos estratigráficos a unidade informal “Brecha da Arrábida” insere-se na base da unidade ‘’argilas, calcários com calhaus negros e conglomerados da Arrábida colmatando superfícies paleocársicas (rochas detríticas antigas) que materializam a descontinuidade Jurássico Médio/Superior pelo menos à escala da Bacia Lusitaniana; esta unidade informal correlaciona-se com a Formação de Cabaços, representada no sector central da Bacia.

 A história:

 A sedimentação nesta região começou por se efectuar num ambiente detrítico e natureza evaporítica, provavelmente em pequenas bacias confinadas e com leve influência de ambientes marinhos, onde ocorreram fenómenos vulcânicos. A região foi-se transformando numa bacia marinha litoral pouco profunda, com influências continentais e onde se deu uma deposição essencialmente carbonatada. Esta plataforma litoral foi progressivamente sofrendo maiores influências marinhas, que se tornaram mais ou menos francas.

 Depois, a região ocidental parece ter sido nitidamente marinha. Este ambiente marinho apresentava fácies de sedimentação carbonatada, essencialmente de plataforma pouco profunda e algo confinada.

 Esta região sofreu alguma regressão, passando a depósitos mais detríticos (ex.: conglomerados da Arrábida), sendo possível que esta região se tivesse transformado numa área elevada, eventualmente um alto fundo.

 Após alguma movimentação tectónica, a área tornou ao domínio marítimo, embora de fácies salobra, apontando mais uma vez para ambientes pouco profundos.

 Houve um período em que a região pertencia a uma área de contacto entre os ambientes marítimos e continentais, com o extremo ocidental a apresentar fácies de alguma profundidade.

 No início do Cretácico o contacto entre os domínios de sedimentação marinha e continental orientar-se-ia numa direcção N-S, cujo bordo passava aproximadamente por Setúbal, estando a região do Cabo Espichel ocupada por áreas salobras (salgadas) litorais, de sedimentação essencialmente terrígena e carbonatada.

 Noutros dois períodos diferentes, ocorreu nova transgressão marinha, implicando um maior afastamento do litoral, criando por vezes condições de habitats recifais.

 Noutros períodos, iniciou-se uma regressão que fez alastrar a linha de costa progressivamente de perto do Portinho da Arrábida para o Cabo Espichel, formando nesta última região uma área de sedimentação marinha interna, infralitoral, essencialmente carbonatada e por vezes recifal.

 Num período em que se instalou um ambiente infralitoral, a região parece ter sido rodeada por planícies aluviais a Norte. A transgressão marinha do Cenomaniano fez recuar de novo a fronteira continental da área de Sesimbra para a região de Setúbal aproximadamente, estabelecendo uma plataforma infra a circalitoral carbonatada.

 No final da regressão Cenomaniana a região foi abandonada pelo mar, ficando assim a zona da Arrábida em território emerso.

 O Paleogénico decorreu portanto numa fácies detrítica, continental, com um episódio de sedimentação lacustre, também continental, representado pelos calcários da Sra. Das Necessidades.

 

 

 

NOTA: ver a (img.4) na zona reservada para mapas!